segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Noite Perfeita

No meio da noite, ela* diz: "Merecíamos essa noite", com aquele sorriso com luz maior do que todas as estrelas daquele céu estreladíssimo. A minha resposta foi, um pouco depois e após tomar uma "bronca" por já não escrever aqui há algum tempo, "vou escrever sobre isso no blog".
Ela quem sempre me disse que "o que é esperado com fé, há de ter muita força", esteve por lá, no meu canto preferido, num dos meus shows preferidos. Ela, a minha companhia preferida que não tenho a sorte de ter todos os dias. Falando em dias, haja a tal fé para esperar pelos últimos vinte. Desde o primeiro convite extra-oficial após ser sondado por cortesias, até a confirmação das cortesias e a aceitação dela. Haja fé para esperar essa última semana envolto a processos e prova da ordem no fim de semana. "Minha moral está alta", ela disse quando contei que no dia seguinte, em menos de 14horas eu estaria fazendo a prova. Lógico que a moral dela é altíssima, todo mundo que lê minimamente esse blog sabe o quanto eu esperei para ter essa chance.
Posso dizer? Ela é tão bonita, que dirige também bonito; uma delicadeza para virar aquele carro enorme, uma maestria para fazer uma vaga oblíqua, um charme para dirigir com uma mão só, enquanto ela "está pensando". Eu fico bobo no banco do carona, deixo meu carro no centro e nunca valeu tanto a pena. Até na "briga" por não querer me deixar pagar o estacionamento, ela foi charmosa. Eu ganhei a briga, que fique claro.
Boa conversa até chegarmos ao bar - já disse que ela estava lindíssima com aquele vestido? -, vou ao banheiro para ver se não estou babando demais, se minha cara de bobo não está tão aparente e para ver se ainda estou composto. Tudo certo, quando saio... é ela na varanda, encostada iluminada por aquele céu todo estrelado. A menina que ama estrelas aponta as três marias, uma das maiores paixões dela (e me dá uma vontade sublime de entregar um outro sol para ela). As horas, infelizmente, voam. Talvez pela simplicidade do papo que flui e mesmo quando há silêncio, eu sinto cumplicidade.
Antes do show, som ambiente com "por você, eu mudaria até o meu nome, eu viveria em greve de fome, desejaria todo dia a mesma mulher". E aquilo meu deu o impulso para fazer a pergunta que esperei a noite pra fazer, muito por covardia, por medo ou por antecipar o movimento rumo à maçã, no melhor sentido Caio F. E fiz: " Linda, vamos ficar hoje ou ficaremos de boa na vida?". Pouco clichê, muito desajeitado, porém direto, acho que nossa relação de carinho e sinceridade permite isso.
Segue o show, primeira música do Leoni: "não fala nada, deixa tudo assim por mim, eu não me importo se nós não somos bem assim. É tudo real nas minhas mentiras, e também se não for, não me faz mal, não me faz não". Ela é tudo que eu penso, mas foi um recado que ele me ajudou a passar: Fique tranquila, seja qual for a resposta nessa vida, meu desejo e carinho são os mesmos.
Leoni passou pelos clássicos: Fotografia, Esse Outro Mundo, Temporada das Flores, Um Herói Que Mata, 50 receitas, Dublê de Corpo, Os Outros, A Fórmula do Amor e segue show.
Em "Cartas Que eu Não Mando", provavelmente um olhar para que voltasse a escrever. Afinal, tenha escrito para mim, em uma agenda.
Em "Lado Z", o que eu sinto do fundo do meu coração: "Fiz uma lista sem fim de como sem perceber você me faz imensamente feliz". 
Depois, outra para mais uma pergunta minha "com a cara mais lavada, digo "por quê não? Por quê não eu, ahhh, por que não eu?" (risos)
A música "A Noite Perfeita" dá nome ao espetáculo e ao post. E bom, antes do bis, "É hora de pular do Trem".
Fechando o show, a música quase minha para ela: "garotos não resistem aos seus mistérios, garotos nunca dizem não, garotos como eu sempre tão espertos, perto de uma mulher são só garotos".
Fechamento da noite foi com Robs e a Radiola, I Wanna Hold Your Hand , Wonderwall. 
Sai com a sensação de que realmente merecíamos aquela noite e assim ficamos de boa na vida.
Antes de fechar o relato, eu vou "cantar" a música que faltou na noite perfeita, mas que não pode faltar por aqui.
Te escrevo essa canção
Pra te fazer companhia
Pra segurar tua mão
Não te deixar sozinha

Canção feita de pele
Pra usar por baixo da roupa
Canção pra te deixar um gosto doce na boca
Te escrevo essa canção
Porque nem sempre ando perto
E essa canção me ajuda a atravessar um deserto

Canção de fim de tarde
Pra se infiltrar nos seus poros
Pra contar com você
Te olhar no fundo dos olhos

Canção pra andar do teu lado
Em toda e qualquer cidade
Pra te cobrir de sorrisos
Quando eu chorar de saudades

Te escrevo essa canção
Pra te fazer companhia
Pra segurar tua mão
Não te deixar sozinha
Canção feita de pele
Pra usar por baixo da roupa
Canção pra te deixar um gosto doce na boca
Canção pra andar do teu lado
Em toda e qualquer cidade
Pra te cobrir de sorrisos
Quando eu chorar de saudades


* À Rayssa Nogueira, tantas vezes personagem desse blog, que me permite sonhar acordado. Espero que o sol tenha chegado bonito no domingo para te despertar.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ainda resta vontade

Eu não sei se são teus cabelos caídos sobre os ombros de fios de esperanças dourados ou a forma como você sorri menina e tão mulher. Não sei se é a forma como encara os desafios do jeito que vêm, que são.

Eu apenas sei, em poucas linhas e certeza crescente, que apesar dos meus traumas com lugares pré-fabricados eu quero construir castelos, castelões.

domingo, 14 de novembro de 2010

Somos

Palavras. Cruzadas, interconexas, trocadas, ditas, pensadas, sentidas, arquitetadas, construídas, pintadas, arejadas, armadas.
Ideias. Trocadas, de mãos dadas, postas, discutidas, corroboradas, chegadas de surpresa.
Chegadas. Abraço, beijo, carinho, cumplicidade, preferência, não partida. Se partida, não afastamento. Se afastamento, não muito. Muito. Carinho, troca, intercâmbio.
Companhia. Próxima, virtual, alheia, conjunta, sabida. Sapiência, teorias, práticas, deleite.
Leite, café. Café com leite. Mate com limão, se preferir.
Camisa.Vermelha.Eleição.Projeto governamental. Folha de São Paulo. Correspondente além-fronteira, silêncio, tribunal.
Causa. Perdida,Ganha,Suspensa.
Presente. Qualquer um. Chocolate. Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Música. "Está chegando a hora de dormir". Boa noite, partida. Signos. Mais tempo. Nunca afastamento.
Interconexão, troca, dizeres, cumplicidade.
Mãos dadas, alheias. As nossas.
Chegadas de surpresa, não partida.
Preferência. Ficou.

domingo, 7 de novembro de 2010

Gracejo

São gracejos, pedaços de graça. Xinga e sorri. Conta caso e sorri. Sorri, só ri. Eu sou rio, que vai seguindo pela tua correnteza rumo a algo indecifravelmente bom. Vou tanto ao sabor do acaso que me desmancho e antes rio, me transformo em gargalhada levado feito barquinho de papel.

Eu tenho achado doce, apesar da impossibilidade. Os obstáculos são evidentes, não sei como ultrapassá-los, nem sei se quero. Melhor deixar correr solto, a imagem do barquinho de papel é excelente. Leve, sendo carregado, fico assim tranquilo, se o rio for você. Se rio, eu. Se gargalhamos. Talvez o destino final nos contemple imagens juntas, uma imagem ao final, na reta de chegada; somente para brindar a essa história torta, doce.

A descoberta do meu eu tranquilo, aceitando com tanta felicidade o que me é oferecido, não me esforço. Ninguém tem a miníma idéia do quanto é complicado ficar nessa inatividade. O sentimento é daquela hipocrisia dita, freio minhas emoções em função de uma vida alheia, vidas alheias. Rio seguindo reto para não tocar na areia e destruir eventual castelo.

Esse castelo que eu desejo do fundo da minha alma que fosse minha morada. Na morada, que eu queria. Fácil deitar a cabeça e descansar nesse travesseiro-ombro-confessionário de perfume bom. Não há problema, é somente imaginação. Daqui a pouco, há o encontro e eu finjo e rio. A condição é suspensa. Aquela música diz que é somente um desencontro, vamos ver por esse ponto. Realmente, o seu gracejo faz com que esteja no rol das pessoas especiais.

Bom encontro é, realmente, de dois.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Harmonise

Tudo começou com sacrifício. Abandonei meu querido bar da fábrica para subir o morro rumo à por mim detestada Privilège. Era aniversário daquela que viria, mais tarde, a ser responsável por grande parte do meu aniversário desse ano ter sido tão mágico. O objetivo àquela época era, confesso sinceramente, mais uma aposta de fichas em "última chance" com outra cidadã que por lá estava, apriorístico dizer que a comemoração era pretexto.
A comemoração acabou sendo pré-texto para essas linhas de agora. Eu cheguei, encontrei-a e quis duvidar. Afinal, aquele sorriso aberto logo no nosso primeiro encontro e uma sinceridade inquestionável no "Andrey, que BOM que você veio". Foi senha para eu ficar à vontade e nos dias seguintes ser criada uma relação de cumplicidade. Hoje, eu digo: estranho seria se eu não me encantasse por ela.

"Eu estava acorrentado a um pretérito imperfeito e de algum jeito improvável, você me trouxe à superfície pra que eu voltasse a pulsar.". Ela recuperou minha fé em ações, atitudes, pensamentos e autoconfiança que eu por vezes chego a abandonar. Alguns desses tópicos foram mesmo abandonados temporariamente e ela trouxe a tona. Jogou meu maldizer na lona e tem feito valer a pena. Ela mostra que relacionamentos podem ser levados a sério, independente de tempo. E que inconformismo é vital para a renovação de possibilidades. Ela me faz pensar. Em mim, nela, na humanidade, política, direito ou qualquer outro assunto que surja no encadeamento do diálogo. Uma lembrança puxando a outra e quando ver são 4h da manhã de outro dia. E o "boa noite" vem para coroar, vício de toda noite e virtude para bom sono.

Harmonise para o trocadilho fazer sentido. Ela "é o triunfo da minha esperança sobre minha experiência". Além dos motivos expostos anteriormente, junta princípios, inteligência, bom-humor e beleza. É leve, faz ficar leve, mesmo sendo "mandona". Delicadamente desbocada. Sutilmente intransigente, persuasiva. Um doce até no mau-humor. Como o som que ouço são as gírias de seu vocabulário: super curto loucamente.

A vida tem sido mais fácil, quando eu penso na palavra: harmonise. A grafia é errada, mas o sentido é perfeito. São os olhos fechadinhos quando sorri e ótima companhia para sambar. É alguém que eu conto, no meu filtro seletivo do Caio F.

"De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci". É estranho, mas realmente já me sinto como um amigo de outras vidas.O Ritmo rola fácil.  É Encantamento piegas-juvenil mesmo. Puro. Um querer estar ao lado, que seja assim, sempre.

Leonina. Guerreira. Que faz um escorpião abaixar a cauda com o veneno, não por medo, por respeito. Por deferência. Se fosse samba, "é brilho demais para um só olhar". Se fosse rock, rural. Sá.Rodrix.Guarabyra. Se MPB, Vinícius e Amor de Índio.

"Admiro sua força para engolir lágrima por lágrima como se essa cena não fosse interferir eternamente em cada prefácio de amor futuro.". E toda a teoria, não poderia deixar, discutida sobre isso. A prece é para que continue assim: novidade com gosto de já saber de outras vidas, eterno com gosto de renovação diária.

"No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto"

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Se deixa...eu me deixo.

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contêm
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem


Acordou com essa chuva de meio-outubro com algum cheiro de um setembro doce, quando ela apareceu. Ou simplesmente se mostrou. Conviviam há meses, mas não se enxergavam. Ele enxergava. Ela avistava palavras diferentes. "Amor", foi o que ele pensou. 'Confiança", foi o que ela guardou.

Os dias estão passando, a proximidade aumentando. Não há nada racional que convença da união dos dois, pero nada afirma o contrário. Dúvida no caminho, pagamento pela pureza. Ela saindo de machucados relativamente recentes; ele com uma vontade enorme de dar um beijo para sarar.

Ela bebendo e fumando para esquecer. Ele lembrando dela para inspirar.
A torcida é para que as coisas encaminhem para um passo mais concreto, esse mundo tem a mania chata de desviar rotas de uma hora para a outra, ou será acerto?

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar 
 
 
 
* as partes em itálico são da música "Outro lugar", cantanda divinamente por Milton Nascimento.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Destinatário da lágrima

Não me diga que seu romance durou a exorbitante quantidade de sete dias. Sua esperança decaiu de plano em uma semana, as fantasias foram vendidas antes do décimo dia do prazo. Você está mal novamente, apesar de toda a minha teoria. Eu quis te avisar.

O seu não-reconhecimento-a-mim talvez se dê pelo fato de que nada deveria ter um nome por medo que esse nome o transforme. Você falou aquela palavra com 5 letras começada com a letra "A", como diria o Gessinger. As especulações filosóficas são muitas. Adeus? Amigo? Ambas, quem sabe!? 

O clichê do "não quero te magoar" é a coisa mais odiosa de todo o imbróglio, visto que a tentativa é instituto bilateral. Eu quero também poder escolher se deixo você me magoar ou não. Algumas pessoas são incapazes de magoar outras, você é uma delas. Porém, sempre que venho a interagir com idéias assim, logo me vem uma vontade de "desisto, tudo bem.". Porque se a afirmativa é negativa "não quero te magoar", há uma concepção positiva de que você irá fazê-lo. E geralmente as pessoas fazem.

Acho que perdi a prática de inverter o ônus da prova. Ficar conformado também nunca foi meu sítio. Insistir também não é mais desembaraço, eu não preciso mesmo mais disso. Somente quero dizer, guria, o seguinte: quem te faz chorar não merece tuas lágrimas. Contudo, o destino, inexorável que é, acaba por consertar tudo; pois sou eu aqui cuidando de você, te acarinhando, secando seu pranto. Sou eu quem acabo por ser o destinatário final das tuas lágrimas.