domingo, 14 de novembro de 2010

Somos

Palavras. Cruzadas, interconexas, trocadas, ditas, pensadas, sentidas, arquitetadas, construídas, pintadas, arejadas, armadas.
Ideias. Trocadas, de mãos dadas, postas, discutidas, corroboradas, chegadas de surpresa.
Chegadas. Abraço, beijo, carinho, cumplicidade, preferência, não partida. Se partida, não afastamento. Se afastamento, não muito. Muito. Carinho, troca, intercâmbio.
Companhia. Próxima, virtual, alheia, conjunta, sabida. Sapiência, teorias, práticas, deleite.
Leite, café. Café com leite. Mate com limão, se preferir.
Camisa.Vermelha.Eleição.Projeto governamental. Folha de São Paulo. Correspondente além-fronteira, silêncio, tribunal.
Causa. Perdida,Ganha,Suspensa.
Presente. Qualquer um. Chocolate. Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Música. "Está chegando a hora de dormir". Boa noite, partida. Signos. Mais tempo. Nunca afastamento.
Interconexão, troca, dizeres, cumplicidade.
Mãos dadas, alheias. As nossas.
Chegadas de surpresa, não partida.
Preferência. Ficou.

domingo, 7 de novembro de 2010

Gracejo

São gracejos, pedaços de graça. Xinga e sorri. Conta caso e sorri. Sorri, só ri. Eu sou rio, que vai seguindo pela tua correnteza rumo a algo indecifravelmente bom. Vou tanto ao sabor do acaso que me desmancho e antes rio, me transformo em gargalhada levado feito barquinho de papel.

Eu tenho achado doce, apesar da impossibilidade. Os obstáculos são evidentes, não sei como ultrapassá-los, nem sei se quero. Melhor deixar correr solto, a imagem do barquinho de papel é excelente. Leve, sendo carregado, fico assim tranquilo, se o rio for você. Se rio, eu. Se gargalhamos. Talvez o destino final nos contemple imagens juntas, uma imagem ao final, na reta de chegada; somente para brindar a essa história torta, doce.

A descoberta do meu eu tranquilo, aceitando com tanta felicidade o que me é oferecido, não me esforço. Ninguém tem a miníma idéia do quanto é complicado ficar nessa inatividade. O sentimento é daquela hipocrisia dita, freio minhas emoções em função de uma vida alheia, vidas alheias. Rio seguindo reto para não tocar na areia e destruir eventual castelo.

Esse castelo que eu desejo do fundo da minha alma que fosse minha morada. Na morada, que eu queria. Fácil deitar a cabeça e descansar nesse travesseiro-ombro-confessionário de perfume bom. Não há problema, é somente imaginação. Daqui a pouco, há o encontro e eu finjo e rio. A condição é suspensa. Aquela música diz que é somente um desencontro, vamos ver por esse ponto. Realmente, o seu gracejo faz com que esteja no rol das pessoas especiais.

Bom encontro é, realmente, de dois.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Harmonise

Tudo começou com sacrifício. Abandonei meu querido bar da fábrica para subir o morro rumo à por mim detestada Privilège. Era aniversário daquela que viria, mais tarde, a ser responsável por grande parte do meu aniversário desse ano ter sido tão mágico. O objetivo àquela época era, confesso sinceramente, mais uma aposta de fichas em "última chance" com outra cidadã que por lá estava, apriorístico dizer que a comemoração era pretexto.
A comemoração acabou sendo pré-texto para essas linhas de agora. Eu cheguei, encontrei-a e quis duvidar. Afinal, aquele sorriso aberto logo no nosso primeiro encontro e uma sinceridade inquestionável no "Andrey, que BOM que você veio". Foi senha para eu ficar à vontade e nos dias seguintes ser criada uma relação de cumplicidade. Hoje, eu digo: estranho seria se eu não me encantasse por ela.

"Eu estava acorrentado a um pretérito imperfeito e de algum jeito improvável, você me trouxe à superfície pra que eu voltasse a pulsar.". Ela recuperou minha fé em ações, atitudes, pensamentos e autoconfiança que eu por vezes chego a abandonar. Alguns desses tópicos foram mesmo abandonados temporariamente e ela trouxe a tona. Jogou meu maldizer na lona e tem feito valer a pena. Ela mostra que relacionamentos podem ser levados a sério, independente de tempo. E que inconformismo é vital para a renovação de possibilidades. Ela me faz pensar. Em mim, nela, na humanidade, política, direito ou qualquer outro assunto que surja no encadeamento do diálogo. Uma lembrança puxando a outra e quando ver são 4h da manhã de outro dia. E o "boa noite" vem para coroar, vício de toda noite e virtude para bom sono.

Harmonise para o trocadilho fazer sentido. Ela "é o triunfo da minha esperança sobre minha experiência". Além dos motivos expostos anteriormente, junta princípios, inteligência, bom-humor e beleza. É leve, faz ficar leve, mesmo sendo "mandona". Delicadamente desbocada. Sutilmente intransigente, persuasiva. Um doce até no mau-humor. Como o som que ouço são as gírias de seu vocabulário: super curto loucamente.

A vida tem sido mais fácil, quando eu penso na palavra: harmonise. A grafia é errada, mas o sentido é perfeito. São os olhos fechadinhos quando sorri e ótima companhia para sambar. É alguém que eu conto, no meu filtro seletivo do Caio F.

"De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci". É estranho, mas realmente já me sinto como um amigo de outras vidas.O Ritmo rola fácil.  É Encantamento piegas-juvenil mesmo. Puro. Um querer estar ao lado, que seja assim, sempre.

Leonina. Guerreira. Que faz um escorpião abaixar a cauda com o veneno, não por medo, por respeito. Por deferência. Se fosse samba, "é brilho demais para um só olhar". Se fosse rock, rural. Sá.Rodrix.Guarabyra. Se MPB, Vinícius e Amor de Índio.

"Admiro sua força para engolir lágrima por lágrima como se essa cena não fosse interferir eternamente em cada prefácio de amor futuro.". E toda a teoria, não poderia deixar, discutida sobre isso. A prece é para que continue assim: novidade com gosto de já saber de outras vidas, eterno com gosto de renovação diária.

"No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto"

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Se deixa...eu me deixo.

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contêm
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem


Acordou com essa chuva de meio-outubro com algum cheiro de um setembro doce, quando ela apareceu. Ou simplesmente se mostrou. Conviviam há meses, mas não se enxergavam. Ele enxergava. Ela avistava palavras diferentes. "Amor", foi o que ele pensou. 'Confiança", foi o que ela guardou.

Os dias estão passando, a proximidade aumentando. Não há nada racional que convença da união dos dois, pero nada afirma o contrário. Dúvida no caminho, pagamento pela pureza. Ela saindo de machucados relativamente recentes; ele com uma vontade enorme de dar um beijo para sarar.

Ela bebendo e fumando para esquecer. Ele lembrando dela para inspirar.
A torcida é para que as coisas encaminhem para um passo mais concreto, esse mundo tem a mania chata de desviar rotas de uma hora para a outra, ou será acerto?

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar 
 
 
 
* as partes em itálico são da música "Outro lugar", cantanda divinamente por Milton Nascimento.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Destinatário da lágrima

Não me diga que seu romance durou a exorbitante quantidade de sete dias. Sua esperança decaiu de plano em uma semana, as fantasias foram vendidas antes do décimo dia do prazo. Você está mal novamente, apesar de toda a minha teoria. Eu quis te avisar.

O seu não-reconhecimento-a-mim talvez se dê pelo fato de que nada deveria ter um nome por medo que esse nome o transforme. Você falou aquela palavra com 5 letras começada com a letra "A", como diria o Gessinger. As especulações filosóficas são muitas. Adeus? Amigo? Ambas, quem sabe!? 

O clichê do "não quero te magoar" é a coisa mais odiosa de todo o imbróglio, visto que a tentativa é instituto bilateral. Eu quero também poder escolher se deixo você me magoar ou não. Algumas pessoas são incapazes de magoar outras, você é uma delas. Porém, sempre que venho a interagir com idéias assim, logo me vem uma vontade de "desisto, tudo bem.". Porque se a afirmativa é negativa "não quero te magoar", há uma concepção positiva de que você irá fazê-lo. E geralmente as pessoas fazem.

Acho que perdi a prática de inverter o ônus da prova. Ficar conformado também nunca foi meu sítio. Insistir também não é mais desembaraço, eu não preciso mesmo mais disso. Somente quero dizer, guria, o seguinte: quem te faz chorar não merece tuas lágrimas. Contudo, o destino, inexorável que é, acaba por consertar tudo; pois sou eu aqui cuidando de você, te acarinhando, secando seu pranto. Sou eu quem acabo por ser o destinatário final das tuas lágrimas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

De Perto

Autocontrole. Foco. Olha, o sinal abriu. É que quando você fala, as buzinas cessam e o motor também quer ficar parado, sem trabalhar, ouvindo a voz. A sua. É autocontrole novamente, te deixo e vou.
Relances de algo que vou procurar evitar, por sobrevivência. Sei bem como termina e a jurisprudência está mais que consolidada. É para manter as mesmas palavras: foco, autocontrole, não posso largar mão disso agora. Posso?

É esse meu jeito para ser carente profissional. Advogo por tanta gente e tanta causa perdida, que quando te encontro as coisas ainda fazem algum sentido. Uma grande amiga e professora dizia que eu não resistia a uma boa conversa e um sorriso torto. Ando resistindo, insistindo nisso, porque eu sei das consequências. O problema todo é diagnosticado, como que por ironia e gozação do destino, por uma banda que vem logo para cá. Os paralamas soltam agora, quando você está sorrindo para mim: "não sei viver só e sem sonhar,sem fé,sem ter alguém. Faz tempo que eu te espero e que te quero bem". Tempo que eu consegui manter as mesmas palavras de antes: autocontrole, foco, resistência.

Mas como carente profissional suicida, eu quero te ver de perto. Nem que seja numa canção ou no coração. Embora seja certo que é um certo querer, um querer-bem que não consegue ultrapassar o "mas". O mais das vezes é isso, não ter controle no querer e mais uma vez, prometendo ser a última, esquecer as mesmas palavras: foco, autocontrole e o que mesmo?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Uns dias..

Não é pose, nem positivismo, nem qualquer tentativa charmosa para chamar a atenção. rs. O sumiço passa mais por um tempo, ou a falta dele, em que essa vida de adulto me pediu uma atenção a mais. Não pensem que deixei de comer sucrilhos e neuroses, que não passei pela rima e pelo café, que diversas vezes eu não quis falar disso ou que antes de dormir eu não olhei e abracei a "minha" bonequinha de seda.

Eu tive fora uns dias, como diriam os paralamas, numa onda diferente. E provei tantas frutas, sabores, cheiros, restaurantes e coloquei à venda a Casá Pré-Fabricada. O mundo tem disso: roda e a roda viva leva tudo para lá mesmo. Tive que mudar hábitos e habitat. E continuo procurando pelo tal do amor.

Eu ando pedindo forças. Pedindo foco. Só espero que eu não perca o encontro quando fechar os olhos para recuperar o fôlego perdido na procura. O meu coração anda com jeito de bem-me-quer. Agosto passou, setembro quase finda. "Abre essa janela, primavera quer entrar".


Tenho lido processos, procedimentos, ficha limpa. Discutido teses, tentando não julgar pessoas. Venho tentando me entender. Uns dias não consigo, noutros nem tento. As saudades extrapolam esse coração. A vontade é de ficar bilionário e trazer todos, que por aqui passam para deixar seu cheiro, para perto. 

"Que saudades! Agora, me aguardem". Essa é uma volta, uma promessa de não mais abandonar o Agravo de Instrumento. Torço para que as energias estejam positivas. Que a vida ande bonita, apesar de que poderia estar melhor...mas será!

Um beijo especial para Maria Fernanda, Tay, Fê Bellusci, Lua, Rayssa que sempre vinham me pedir algumas palavras. "Eu te procurei para me confessar, eu chorava de amor e não porque sofria.."